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Psicologia Para Si

Psicologia Para Si

Será o raciocínio universal?

Em textos anteriores reflectimos acerca de diferentes tipos de raciocínio e até de uma das teorias que explica uma forma global de raciocínio.

Uma nova linha de investigação acerca deste tema, debruça-se se o raciocinío é universal, ou melhor se diferentes culturas raciocinam da mesma forma, ou se a cultura é mediadora deste processo.

Há sobre estes desenvolvimentos dois nomes a fixar Luria e Nisbett. Luria um famoso neuropsicólogo soviético interessou-se por este tema há muito tempo, e tentou responder à seguinte questão: Será que as civilizações não escolarizadas raciocinam como os Europeus?

Comparou comunidades pouco escolarizadas de Fergana, uma cidade do Ubequistão, culturalmente bastante marcante ao nível da arquitectura e com um poeta considerado particularmente genial.  O que ele constatou foi importantissímo: as pessoas conseguem fazer raciocínios condicionais, no entanto eles parecem não conseguir extrair conclusões a partir das permissas, recusam usar a lógica para extrair informações das permissas, raciocinando muito mais facilmente a partir da experiência concreta das suas vidas, atestando assim que o aspecto da comunicação e da pragmática é muito importante. Além disso tal como tinhamos visto anteriormente há efectivamente uma importânca das crenças e influências prévias no nosso raciocínio. Estes efeitos eram contudo, mais proeminentes e visíveis em pessoas mais velhas do que em pessoas mais novas. 

Transcrevo agora um estudo de Luria (1976) sobre o raciocínio silogístico:

Perguntava o seguinte aos participantes:

Em N, todos os U são B.

NZ fica em N. Como são os U?

As respostas de algumas pessoas eram algo deste género? Eu não sei, eu não conheço eu nunca estive lá...Estes exemplos de respostas mostram que as permissas não foram pois tomadas como afirmações universais.

Scribner e Cole em 1974 empreenderam também um estudo transcultural com os Kpelle.

O problema que lhe foi poposto foi então o seguinte:

A Aranha e o Veado comem sempre juntos.

A Aranha está a comer.

O Veado preto também está a comer?

As respostas foram maioritariamente semelhantes às dos participantes do estudo de Luria, e há etnão dois aspectos que podem podem ajudar a explicar porque o signigicado das permissas não é universal. 

  •  O Viés da Crença: Tendência em aceitar conclusões que vão ao encontro das próprias crenças. (Hendle, 1962; Goel e colaboradores, 2003)
  • O princípio da modulação pragmática( Johnson-Laird e Byrne, 2002) O conhecimento que temos armazenado em mémória modula (afecta, influencia) a interpretação das informações condicionais. 

A Cognição é universal ou não é universal? 

A resposta de Richard Nisbett

Richard Nisbett é um psicólogo que se tem interessado por estes assuntos. Conta até a história de um aluno oriental, que no final de uma aula se dirigiu a ele para comentar diferenças de pensamento, dizendo algo do género: "que engraçado vocês aqui pensam muito assim e fez o gesto de um círculo fechado, enquanto nós no oriente pensamos de forma muito menos linear e mais aberta". Penso que para qualquer um de nós, principalmente neste momento com a massificação das modernas viagens, são flagrantes as diferenças provocadas pela cultura, no entanto creio que é mais difícil que essas diferenças possam também ser visíveis em formas de pensamento e raciocínio, já que tendemos a pensar que estas coisas dependem de algo mais físiológico, agregado à própria condição humana, se todos temos um cérebro então provavelmente todos raciocinaremos, no que de mais básico tem o pensamento e raciocínio de forma semelhante, até porque estamos muito mais habituados que se estabeleçam diferenças na forma de pensar entre animais mais ou menos primitivos e o homem.

Masuda e Nisbett (2001) decidiram testar a percepção visual (a maneira como olhamos para uma cena visual) varia em diferentes culturas. Depois desta introdução toda é normal que estejam à espera de diferenças. Mas, como são então essas diferenças?

Convidaram 41 americanos e 44 japoneses a verem uma cena que continham 3 peixes num aquário com fundo verde e uma planta.

Fase 1 - Tarefa de evocação (os participantes tinham que descrever a cena)

Fase 2 - Tarefa de reconhecimento da cena- peixe em fundo orinal; peixe sem fundo; peixe em fundo novo;

O que se verificou é que há um influência subtil/percepção visual da cultura no reconhecimento de uma cena global.

Os participantes japonses reconhecem muito melhor a imagem do peixe em fundo original e os americanos a imagem do peixe sem fundo.

Chua, Boland e Nisbett (2005)

Empreenderam um estudo muito semelhante ao anterior mas utilizando técnicas mais recentes e inovadoras (registo dos movimentos oculares)e utilizaram imagens mais realistas (imagens em 3d).

Na sequência do que já se havia observado anteriormente, os americanos gastam mais tempo de explocração ocular no obecto e os chineses gasta mais tempo a explorar o background. O que pode, eventualmente explicar estas diferenças, é o facto de orientais e americanos terem dois modos completamente distintos de processamento: os americanos muito influenciados pelo pensamento socrático e aristotélico enquando os orientais, e por incrivel que parece, não sabem quem foi Socrates, sendo completamente influenciados por Confusio.

Esta é apenas uma hipótese mas, o que estes investigadores - Chua, Boland e Nisbett (2005) defenderam foi que diferenças culturais no julagamente e memória, poderão dever-se ao modo como é explorada a cena visual ( ao que se presta atenção).

Myamoto, Nisbett e Masuda (2006)

Empreenderam mais uma investigação e esta sim com conclusões que para mim foram de todas as mais surpreendentes que estas diferenças podem dever-se também, pasme-se às características do próprio ambiente, podem provocar diferentes padrões na percpeção. 

Embora esta linha de investigação seja ainda muito recente, já podemos destacar alguas diferenças, efectivamente desde 2001 até hoje as investigações são muito mais diferenciadas.Sendo que as diferneças entre culturas podem depender de aprendizagens muito específicas tais como (aprendizagem da leitura e da escrita com letras que não são assimétricas) e também do próprio ambiente físico.

Diferenças culturais no agrupar e categorizar objectos - classificação livre e julgamento de semelhanças

Classificação Livre

Exemplo: Quais fazem o melhor par?

Vaca ; Galinha; Erva;

Nisbett e colaboradores concluiram que as crianças americanas, agrupam livermente estes objectos por categorias e as crianças chineses agrupam por relações. 

Julgamentos de semelhanças

Os Europeus e os americanos agrupam por regra, enquando os asiáticos agrupam por semelhança e a diferente forma de agruparem é bastante nítida de cultura para cultura. Contudo os asiáticos americanos, ainda que um pouquinho menos em percentagem também julgam pela semelhança e não pela regra, quer isto dizer que a cultura de origem parece prevalecer.

Previsão da Mudança

Como prevêm a mudança estas duas culturas, será que há diferenças ou estas não existem. Depois de tudo isto, é um bocadinho  óbvio que existem.

Os americanos parecem ser mais lineares ao prever mudanças enquanto os chineses não são tão lineares e conseguem acomodar a ideia de que grandes mudanças podem acontecer mesmo, quando anteriormente a situação não o faz perder. Esta ideia está bastante presente na literatura chinesa, em que a vida das pessoas "dá voltas" muito pouco previsíveis.

Atribuição de inveja ou sabedoria também parecem variar de cultura para cultura

Qual a possível razão para o comentário: "até pode ser bom para ela" face a acontecimentos negativos;  e comentários como "até pode ser mau" face a acontecimentos positivos

Pois que os americanos atribuem mais estes comentários à inveja. Os chineses atribuem mais à sabedoria.

Atribuição de maturidade ou sabedoria perante cenários menos positivos

Os americanos mostram se mais preocupados que os chineses ainda que a diferença não seja, efectivamente muito grande. E os chineses atribuem a importância da maturidade para saber "lidar" com estas questões do que os chineses. Neste caso a inveja tem pouca importância para os dois diferentes grupos culturais.

 

Conclusões finais:

Quando se mencionavam as diferenças culturais, há algum tempo atrás esta abordagem era muito mais dictómica, falavam-se em diferenças entre ocidente e oriente, hoje em dia estas abordagens são pois muito mais diferenciadas dentro da europa compara-se a Europa do Leste como do Este etc..tal como na cultura asiática.

Como vemos estas difererenças entre pensamento devem-se à cultura mas também a efeitos sa escolarização : há aprendizens específicas que influenciam a forma como vemos as imagens e até a forma como o próprio cérebro está organizado. Há aliás outras linhas de investigação que falam que estas diferenças também variam conate se falem em sociedades mais baseadas na caça ou na agricultura.

 

 

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