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Psicologia Para Si

Psicologia Para Si

Ergonomia: Evolução e Desenvolvimento

1 - Ergonomia Gestual

A ergonomia Gestual está muito associada à 2ª guerra mundial. O principal objectivo da ergonomia Gestual era a adaptação do posto de trabalho às condições físicas/fisiológicas do Homem, por exemplo atravês da diminuição dos esforços físicos do trabalho, aumento do conforto entre outras. 

  • Raízes no "movimento do fator humano"
  • Centrada na adaptação do posto de trabalho às características físicas/fisiológicas do trabalhador de modo a diminuir os esforços físicos e aumentar o conforto
  • Priviligia o estudo da relação, de ordem física, do trabalhor-posto de trabalho.

Vale a pena pensar um bocadinho 

Procurava-se com esta adaptação do trabalho às características físicas/fisiológicas do trabalhador obter da sua parte um rendimento óptimo. Podendo levar  a ideias perigosas tais como:" O Homem certo no trabalho certo ".

A ergonomia gestual é um tipo de Ergonomia que permaneçe até aos dias de hoje, por exemplo os profissionais repositores aprendem por exemplo qual a postura correta para carregar e transportar cargas. No entanto, esta ideia também poder ser um bocadinho preversa já que se o trabalhor tem dores nas costas a entidade patronal poderá alegar que se tem dores, é porque adoptou uma postura errada, sem (a entidade patronal) levar em conta outros factores importantes como que tipo de cargas transporta?; com que frequência? Trabalha por objectivos? Qual o constrangimento de tempo?

Uma ideia importante é que muitas vezes sabemos a forma correta de exercer a tarefa porem não cumprimos essas designações por que razão? podem ser os factores múltiplos.

2 - Ergonomia Informacional

  • A ergonomia informacional está associada ao desenvolvimento da Psicologia Cognitiva.
  • Priviligia o estudo da relação de ordem cognitiva, do trabalhador-posto de trabalho
  • Centrada na análise e intervenção nos dispositivos de sinalização e de comando dos postos de trabalho de modo a melhorar a recepção e tratamento de informação, por parte do trabalhador.

Tem muito a ver com dispositivos informáticos e tecnológicos de sinalização e de comando e portanto analisam estes dispositivos de modo a intervir na forma como a recepção de sinais ou informação chega aos trabalhadores ao modo como os trabalhadores recepcionam e tratam a informação, tendo em conta as suas características cognitivas (do ser humanos em geral, não de cada pessoa em particular).

Por exemplo, a Ergonomia Informacional seria bastante útil aos controladores de tráfego aéreo por exemplo, que têm de tratar informação muito importante de diferetnes pontos e de forma rápida assim por exemplo os ergonomistas informacionais provavelmente colocam a informação mais importante diante dos nossos olhos. Os pilotos de avião, por exemplo no cokpit têm todas as informações vitais à sua frente.

 

3 - Ergonomia dos Sistemas

  • Priviligia o estudo global da relação do trabalhador- posto de trabalho com todos os elementos do sistema que o influenciam.
  • Evidencia a necessidade de integrar o estudo da actividade profissional no conhecimento do processo global de trabalho.
  • A análise ultrapassa o "simples" nível do posto de trabalho e insere-o na complexidade do sistema de produção no seio do qual está inscrito.

Exemplo das trabalhadoras da tecelagem

O meu posto de trabalho é em frente ao tear  e a minha função perceber pois quando os fios se emaranham e intervir, de modo a que o recido não tenha qualquer defeito.

No entanto, não são poucas as vezes que tenho de interagir com o técnico que trata da manutenção das máquinas. Ora, esta interação, esta dependência interfere na minha actividade, para além disto com a minha relação com a hierarquia da chefia e com os colegas.

Emfim, passamos de uma análise intra-individual para olharmos mais para o todo, para um tipo de influência mais macro.

Exemplo também dos trabalhos em linha em que a minha produção depende por cmpleto dos colegas, e talvez o trabalho do colega depende da ordem da supervisora, o da supervisora depende da chefe de departamento e a atitude da chefe de departamente depende da chefia global. São muitas varóaveis a ser analaisadas. 

 

4 - Ergonomia Heurística

  • Priviligia o estudo das estratégias pessoais dos trabalhadores (regras efectivas de funcionamento) e tem subjacente a concepção de que o trabalho  é também desenvolvimento de estratégias a partir de dificuldades e imprevistos da situação de trabalho
  • Centra-se no estudo das estratégias de actividade mental do trabalho e analisa a especificidade das diferentes estratégias possíveis (modos de resolução do problemas)

A Ergonomia Heurística remete também muito para a Psicologia Cognitiva e para uma área muito mais específica desta que é a Psiologia do Pensamento, contudo talvez a Psicologia do Pensamento esteja masi interessada em estudar e produzir leis generalizáveis do pensamento à condição humana, enquanto esta área específica  analisa as especificadades das diferentes estratégias. Obviamente que estas estratégias estão muito dependentes das experiências dos trbalhadores. O estudo destas estratégias específicas perante dificuldades, imprevistos e constrangimentos da actividade pode ter a função de ampliar certas regras de segurança, para o ajustamento de alguns meios técnicos etc...

                        As Representações

  Talvez devamos primeiro reflectir acerca do conceito de Representação Uma representação é uma segunda apresentação, há uma apresentaçãoo e a sia representação significa já o que nós acrescentamos a essa apresentação. 

O conceito de representação é um conceito fundamental e muito caro à Psiologia do Trabalho.

Abordamos a representação a partir da Teoria da Operatividade de Ochanine que faz a distinção entre Representaçõs Cognitivas e Representações Operatórias. 

Representações Cognitivas -  Conjunto de informações úteis para o desempenho do trabalho. Adquridos em contexto mais formal e mais por exemplo vou aprendo a ser uma melhor vendedora atravês de práticas formativas recorrentes e relacionadas que a entidade patronal me proporciona. Por exemplo a anatomia é uma representação Cognitiva imprescindível à actividade de um médico.

Detidas pelo trabalhador relativamente à sua situação de trabalho; são constituídas por conhecimentos objectivos do objecto e do posto de trabalho.

Representações Operatórias - Adaptamos as nossas cognições à experiência que vamos tendo. São meios de acção, que resultam da própria acção, mesmo que a nossa acção não seja tão fiel ao livro de anatomia não quer dizer que a nossa acção não seja eficaz.

São imagens incompletas e parciais do objecto/posto de trabalho, elaborados pelo operador, progressivamente com a aquisição de experiência profisisonal, no desenrolar da actividade, em interação com os objectivos de produção e no âmbito da sua actividade.Mas que não podem ser consideradas à priori como sendo erros, antes pelo contrário saõ vistas como susceptíveis de favorecer o bom desenrolar da actividade do operador.

Notas de atenção Importantes

1 - As representações operatórias evoluem;

2  - As representações operatórias apresentam , em geral, uma "versão padrão" de bsem que se vai modificando em função das características da situação.

3 - As práticas de formação dirigidas aos operadores devem permitir:

  • explicitar e comparara as diferentes representações operatórias;
  • "refrescar" regularmenre a memória sas representações cognitivas.

As representações operatórias são meios de acção que só retêm do objecto/posto de trabalho as propriedades que são necessárias ao operador para levar a cabo a sua actividade.

 

                        O conceito de Regulação

  • Face às características da sua actividade de trabalho e dentro de certos constrangimentos de tempo, o trabalhador vai organizando a sua actividade, adaptando-se a evoluções do diferentes factores intervenientes na situação de trabalho.
  • Compreende a forma como da um desenvolve as suas estratégias de regulação, e encontra um equílíbrio frágil entre o cumprimento de normas de produção e a preservação da sua saúde e segurnaça a um nível satisfatório.

Partamos de um exemplo quando sabemos que estamos prestes a enfrentar o último exame do semestre dizemos algo como "ainda bem que é o último já não aguetava nem mais um" ou até quando estamos na última semana de trabalho proferimos uma sentença muito semelhante" não aguentava nem mais um dia". Provavelmente aguentaríamos não apenas um dia como até inúmeros dias pois apesar de sermos babstante falíveis, somo indescritivelmente adaptativos, contudo proferímos aquelas frases porque auto-regulamos o nosso esforço físico mental, a nossa vida e agenda social para aquelas datas. Esta actividade de regualção não é necessariamente consciente e muito variável de acordo com as circunstâncias últimas que vão aparecendo e embora tenhamos já dito que a nossa regulação é auto, depende muito de nóis ela também é lulticausal depende de muitos outros factores de muitos outros sectores, no caso das férias depende muito da entidade patronal, por exemplo.

 

Uma nota muito importante a ser considerada quando estudamos a evolução da ergonomia é o facto de esta evolução ser detrrminada por duas correntes que coexistem até aos dias de hoje. 

A primeira desenvolve- se no prolongamento da origem da ergonomi,a isto é, de uma ergonomia tecnológica - Ergonomia dos Factores Humanos.

Tradicionalmente, dos países anglo-saxónicos e no Japão.

Objectivo: aplicação das ciências do Homem na concepção de dispositivos técnicos para o trabalho, com a finalidade de melhoria das suas condições.  As investigações, em fisiologia e psicologia, requerem, na maioria dos casos, ao método experimental em laboratório.

A segunda corrente aparece em França e na Bélgica abandonaram a ergonomia de laborátório e preconizam a analíse do trabalho o terreno, cosiderando-o coo o único çocal onde é verdadeiramente possível conhecê-lo.

Ergonomia da actividade do Trabalho

Objectivo: Contribuir para a conceção ou transformação das situações de trabalho - não só nos seus aspectos técnicos, mas também nos aspectos sócio-organizacionais - de modo a que o trabalho possa ser realizado respeitando a saúde e a segurança dos trabalhadores e o máxio de conforto e eficácia.

 

 

 

 

 

 

O papel da emoção no processo de decisão

As emoções, e mais concretamente o papel das emoções na decisão são nos dias de hoje um Hot topic, e ainda por cima um portugûes - ANTÓNIO DAMÁSIO, embora viva nos EUA, teve e continua a ter um impacto no desenvolvimento do estudo da influência das emoções na cognição.

A heurística do afecto segundo Peter Slovic e Daniel Kahneman

Os dois autores consideraram um avanço importante o facto da emoção ter agora um peso muito maior na nossa compreensão dos juízos e das escolhas intuitivas do que no passado. Os juízos e as decisões são guiados directamente por sentimentos de atração e aversão com pouca deliberação e raciocínio.

A Perspectiva de António Damásio

 

A sua teoria é algo realmente muito complexa, o que aqui se escreve é algo muito vago e sentético, talvez até demais. Ora uma emoção é algo evidentemente corporalizado (não há pois dúvidas), afinal os poetas tinham razão ao situar os sentimentos no coração. Para que as emoções sejam elicitadas é necessário algum objecto/acontecimento, indutor das emoções. Das mudanças que ocorrem no nosso corpo e cérebro emergem padrões neurais representativos então dessas mudanças no nosso coropo. Este padrão neuronal na forma de imagens, ou sentimento. Ter sentimento do sentimento que é parte do processo de consciência.

Como Damásio definiu Sentimento - (sentimentos de emoções) são estados mentais que emergem da representação neural da coleção de respostas que constituem uma emoção. Os padrões neurais que representam as emoções no corpo e no cérebro constituem o substracto do sentimento, são suficientes para permitir que o sentimento ocorra como imagem mental, mas não para que um sentimento se torne consciente. 

Os sentimentos só se tornam conhecidos quando deles temos consciência, por isso os sentimentos não são sempre conscientes.

 

Kahneman parece ter uma concepção semelhante à de Damásio, já que faz a distinção entre o self que experencia/ o self que lembra (este que lembre é necessariamente consciente).

 

O caso de pacientes com danos cerebrais graves

Creio que um dos mais conhecidos doentes cerebrais em todo o mundo é Phineas Gage, um capataz da construção civil que depois de um acidente ficou com uma barra metálica alojada no cérebro. Ainda assim este paciente, tais como outros com danos cerebrais graves não demonstrou alterações de atenção percepção, memória, linguagem e inteligência. Porém, mudanças de personalidade foram algo evidentes: mostrou-se conflituoso, irreverente, ulilizava linguagem obscena e desrespeito pelas normas sociais; défices de planeamento e tomada de decisões. 

Concluíu-se, a partir destes casos e de outros semelhantes que o córtex pré-frontal ventro-mediano tem um papel importante na integração da emoção e cognição, fundamental para a tomada de decisão (impulsivas).

Para a demonstração destes défices foi criada uma Task ou tarefa bastante conhecida que se chama: Tarefa do Jogo de Apostas de IOWA (representada pela sigla IGT (IOWA GAmbling Task - Bachara, Damásio, Tranel e Damásio (2005).

A IGT foi desenvolvida para avaliar e quantificar os defeitos de tomadas de decisão por pessoas doentes, através de decisões da vida real em condições de recompensa, de perda, e incerteza.

Existiam 4 cartas duas más e duas boas, no que toca a recompensas monetárias, as primeiras apostas dos jogadores na escolha de quais as cartas "virar"eram num primeiro momento aleatórias baseadas em nenhum tipo de informação específica contudo, após algumas jogadas os sujeitos apercebiam-se das diferenças entre as "cartas boas" e as "cartas más" e assim fazendo essa inferência já não baseavam as suas decisões em dados aleatórios.

Numa investigação onde se comparavam as decisões de pessoas sem lesões co cortéx pré-frontal ventro mediado, demonstrou que os doentes com lesão no cortéx pré-frontal ventro mediano continuavam a escolher os maus baralhos. E esta escolha não é acompanhada pelo aumento antecipatório da resistência electrodérmica.

Hipótese do Marcador Somático

Nos doentes com lesão no cortéx pré-frontal ventro-mediano, o mecanismo de decisão deixou de ser afectado por sinais provenientes da maquinaria neural subjacente às emoções. Tomada de decisão impulsiva não beneficia do factor orientador da emoção.

A hipótese do marcador somático propõe um mecanismo cujo processo emcoional pode guiar (ou influenciar) o comportamento, principalmente a tomada de decisão.

 

 

 

 

 

Heurísticas em Julgamento em condições de Incerteza

Tversky e Kahneman argumentam que as heurísticas que agora vos apresento "são grandemente económicas e usualmente efectivas mas elas quase nos empurram pra erros sistemáticos e previsíveis".

Ancoragem e Ajustamento - Tipo de heurística muito patente no cálculo intutitivo

Tversky e Kahneman alteraram certa vez uma roda da sorte. Estava marcada de 0 a 100, mas mandaram-na construir para que parasse apenas no 10 ou no 65. Estudantes da universidade do Oregon participaram numa pequena experiência. Um dos investigadores girava a roda e pedia-lhes que escrevessem o número em que a roda parava, que evidentemente, era ou 10 ou 65.Faziam-lhe então duas perguntas:

A percentagem de nações africanas entre os membros das Nações Unidas é maior ou menor do que o número que acabam de escrever?

Qual é que acham que é a percentagem de Nações Africanas nas Nações Unidas?

As voltas de uma roda da sorte - mesmo de uma que não seja adulterada - não podem de modo algum produzir informação útul acerca de nada e os participantes deveriam simplesmente ter ignorado a roda. Mas não a ignoraram. As estimativas médias daqueles que escolheram 10 e 65 foram respectivamente, 25% e 45%.

O fenómeno que estávamos a estudar é tão comum que deverão conhecer o seu nome: efeito de ancoragem. Ocorre quando as pessoas consideram um valor particular para uma quantidade desconhecida, antes de calcularem essa quantidade. Aquilo que acontece  é um dos mais fiáveis e robustos resultados da psicologia experimental: a estimativa mantêm-se perto do número que consideraram - daí a imagem de uma âncora.

Se vos perguntarem se Ganhdi tinha mais de 114 anos anos quando morreu acabarão com uma estimativa muito mais alta da idade da sua morte do que se a pergunta da ancoragem referisse a morte aos 35 anos. Se avaliarem quando deveriam pagar por uma casa, serão influenciados pelo preço de venda proposto. A mesma casa parecerá mais valiosa se o seu preço fixo for alto do que se for baixo, mesmo que estejam determinados a resistir à influência destes números. Qualquer número que vos peçam para considerar como solução possível a um problema de estimativa induzirá um efeito de ancoragem. 

Os dois autores não foram os primeiros a observar os efeitos das âncoras mas as suas experiências foram as primeiras a demonstrar o seu absurdo.

A psicologia que explica o fenómeno

Tversky e Kanhneman não concordavam completamente acerca da psicologia do efeito de ancoragem. O problema foi resolvido décadas mais tarde através do esforço de numerosos investigadores. É agora evidente que ambos tinham razão. Dois mecanismos diferentes produzem efeitos de ancoragem. Há uma forma de ancoragem que ocorre num processo deliberado de ajustamento, e uma operação no Sistema 2. E há uma ancoragem que ocorre através de um efeito de impulsão, uma manifestação automática do Sistema 1.

Ancoragem

Um miúdo bem intenionado que baixa a música excecionalmente alta para obedecer aos pais que lhe pedem que a toque num volume mais "razoável" poderá não conseguir ajustar-se o sufiicente a partir de uma âncora elevada e sentir que as suas tentativas genuínas de compromisso não estão a ser compreendidas. O miúdo ajusta-se deliberadamente para baixo, mas falha em ajustar-se o suficiente.

Há autores que encontraram provas que o ajustamento é uma tentativa deliberada  para nos afastarmos da âncora: as pessoas são instruídas para abanar a cabeça quando ouvem a âncora, como se a rejeitassem, estas pessoas afastam-se mais da âncora e as pessoas que dizem sim com a cabça revelam maior ancoragem. Também o ajustamento é uma operação esforçada. As pessoas ajustam-se menos (ficam mais perto da âncora) quando os recursos mentais estão desgastados, ou por a sua memória estar carregada com algarismos ou por estararem ligeiramente ébrias. O ajustamento insuficiente é uma falha de um Sistema 2 fraco ou preguiçoso.,

Conclusões relativas às âncoras

Nós estamos sempre conscientes das âncoras e até lhe damos atenção, mas não sabemos bem como guia e constrange o nosso pensamento, pois não conseguimos imaginar de que modo teríamos pensado se a âncora não estivesse presente ou fosse diferente. Contudo, deverão assumir que qualquer número que esteja sobre a mesa teve um efieto de ancoragem sobre nós e se o risco for alto, deveremos mobilizar o nosso sistema 2 para combater o efeito.

Heurística da disponibilidade 

Os dois autores supra citados pensaram nesta heurística quando se perguntaram a eles mesmo o que as pessoas faziam de facto quando queruam estimar a frequência/dimensão de uma categoria, do tipo pessoas que se divorciam depois dos 60 anos ou plantas perigosas. A respostas serão  recolhidas de  exemplos da memória e, se a recolha for fácil e fluente, pensar-se-á que a categoria é extensa. Os dois autores definiram a heurística como o processo de julgar a frequência pela facilidade com que os exemplos vêm à mente. Tal como aconteceu com a heurística anterior também os dois sistemas estão envolvidos.

Uma questão considerada pelos dois autores foi: quantos exemplos teriam de ser recolhidos para obter uma impressão sobre a facilidade com que eles vinham à mente. Sabemos agora a resposta : nenhum.

Como por exemplo, pensem no número de palavras que podem ser construídas a partir dos doss conjuntos de letras abaixo:

XUZONLCJM

TAPCERHOB

Sabem quase de imediato, sem gerar qualquer exemplo, que um conjunto oferece muito mais possibilidade que o outro, provavelmente por um factor de 10 ou mais. Do mesmo modo, não precisam de recolher histórias de notícias específicas para terem uma ideia bastante boa da frequência relativa com que diferentes países surgiram nas notícias durante o ano passado. A heurística da disponibilidade, como outras heurísticas judicativas, substitui uma perguntar por outra: desejam estimar a dimensão de uma categoria ou a frequência de uma ocorrência mas relatam uma impressão acerca da facilidade com que os exemplos vêm à mente. 

Ao listar factores, excluindo a frequência percebemos vários tipos de fontes de enviesamentos:

Um acontecimento saliente: os divórcios entre as celebridades de Hollywood e os escândalos sexuais entre os políticos atraem muita atenção e os exemplos surgirão facilmente na mente. Estão, portanto, inclinados a exagerar a frequência tanto dos divórcios de Hollywood como dos escandalos sexuais dos políticos.

Um acontecimento espetacular: aumenta temporariamente a disponibilidade da sua categoria como por exemplo o despenhamento de um avião,

As experiências, as imagens, e os exemplos nítidos pessoais: encontram-se mais disponíveis que os incidentes que acontecem aos outros, ou meras palavras, ou estatísticas. Um erro judicial que vos afecta corroerá a vossa fé no sistema judicial mais do que um incidente semelhante acerca do qual leram no jornal.

Resistir a esta grande série de potenciais enviesamentos de disponibilidade é possível, mas cansativo. Deverão fazer o esforço de reconsiderar as vossas impressões e intuições fazendo perguntas como: A nossa crença de que os roubos cometidos por adolescentes são um grande problema será devida a alguns exemplos recentes no nosso bairro? ou Será que não sinto necessidade de me vacinar contra a gripe porque nenhum dos meus conhecidos teve gripe o ano passado? Manter a vigilância contra os enviesamentos é um castigo - mas a hipótese de evitar um erro dispendioso vale por vezes o esforço.

Heurística da Simulação

(está ainda banstante relacionada com a heurística da disponibilidade)

O julgamento sobre a probabilidade de um determinado acontecimento, depende da faciliadade em o imaginar mentalmente. Se for mais fácil imaginar um curso de acção do que um outro lamenta-se mais ter falhado em consegui-lo.

Adaptação da heurística da disponibilidade para situações que envolvam a avaliação subjectiva de pesar, arrependimento, ou equivalente.

Heurística da Representatividade apoiada na lei dos pequenos números

"Estas heurísticas são grandemente económicas e usualmente efectivas, mas elas quase nos empurram para erros sistemáticos e previsíveis"

Exemplos: Estimativa cara/coroa

                  Estimativa famílias

                  Estimativa Engenheiros/Advogados

Julgamos a probabilidade de um dado acontecimento de acordo como se assemelha ou não, com acontecimentos representativos da população. Um pequeno conjunto de acontecimentos é tomado como amostra representativa do conjunto de acontecimentos. Envolve decidir se um objecto ou pessoa pertence a uma determinada categoria porque apresenta as tipicidades que representam a categoria.

É geralmente empregue quando as pessoas fazem julgamentos sobre a probabilidade de um objecto ou acontecimento A pertença á classe ou processo B.

Há pois duas leis, dois princípios que apoiam ou ajudam a compreender melhor a heurística da representatividade.

A lei dos pequenos números - A pequena amostra não representa necessariamente a população.

Base rate Neglet -  (exemplo dos engenhiros/advogados) Insensibilidade à anterior probabilidade de resultados ou frequência da taxa básica. Neglegencia-se informação local, prévia e específica.

Representatividade e a tese da Semelhança

Suponha que x é um exemplar da categoria e que C é uma categoria. Para julgar a probabilidade de que x é membro de c,em geral as pessoas baseiam-se  na sua percepção da semelhança de x relativamente a c. Quanto maior a semelhança, maior a probabilidade.

 

O teorema de Bayes

Probabilidade Prévia - Probabilidade que a hipótese seja verdadeira antes de ser considerada evidência.

Probabilidade Condicional - Probabilidade de que a evidência seja verdadeira, se a hipótese for verdadeira. 

Probabilidade Posterior - Probabilidade de que a hipótese seja verdadeira tendo considerado a evidência.

O teorema de Bayes demonstra como pode ser usado um algoritmo para não negarmos a frequência relativa de um acontecimento numa determinada população.

Outa forma de minimizarmos o efeito da base rate neglet sem utilizarmos um algortimo

Ditto el al (1998) - a questão da motivação

Dizia-se aos participantes que ao colocar saliva num adesivo estaríamos perante a existência de um problema de saúde, contudo os participantes eram informados também que há a probabilidade de 1/10 do teste estar errado. Ora, neste caso específico os participantes utilizaram a frequência relativa de um determinado acontecimento na população.

Algumas críticas às heirísticas de Tversky e Kahneman

As heurísticas por eles identificadas, foram vagamente definidas;

Falam na importância de identificar de forma precisa, quais as condições que elicitam as várias heurísticas, e quais as relações entre as várias heurísticas

Alguns autores acreditam mesmo, que este viés não está no processo de julgamento mas frequentemente na qualidade da informação disponível.

A posição contrária de Gigerenzer e colegas

Gigerenzer é autor de um livro chamado "Simply Rational" e diferentemente dos autores anteriores argumentava que estas heurísticas são muito frequentemente valiosas. 

Ele presume que nós humanos possuímos uma "caixa de ferramentas de adaptação" que são exactamente constiruídas por várias dessas heurísticas. Supõe também que estas heurísticas são muitas vezes surpreendentemente precisas. 

Exemplo da Heurística - Take the Best/Ignore the rest ( Gigerenzer e colegas - escola alemã)

 

Suponha que tem de decidir qual, de duas cidades alemãs tem maior população. Nós podemos, por exemplo assumir que as cidades cujo nome é mais conhecido tem uma maior população. Só que neste caso nós conhecemos relativamente bem o nome dessas duas cidades. Então o que nós fazemos é pensar numa outra pista que nos permita tomar uma decisão. Por exemplo de entre as dias cidades, qual tem uma catedral maior?

Esta estratégia take the best tem 3 componentes:

1- Procurar/Pesquisar uma regra: selcionar psitas em função da sua validade;

2 - Parar na regra - Parar depois de encontrar uma pista discriminatória;

3 - Decidi - Escolher pois um resultado

"Take the Best - Ignore the Rest" - Gigerenzer e colegas

 

 

 

Julgamentos em condições de incerteza - Abordagem Económica I

Tal como a abordagem apresentada anteriormente, a Abordagem Económica I funda-se na hipótese de que todas as nossas decisões são racionais dando assim origem à Teoria da Escolha Racional.

Esta teoria presupõe que os decisores estão informados de benefícios e custos de cada alternativa; que enquanto decisores somos sensíveis às diferenças entre alternativas; e que somos racionais quanto à sua escolha.

As pessoas são tidas como racionais e geralmente selecionam a melhor opção. Esta assunção está então na base das teorias normativas/Teoria clássica da decisão que se focam mais em como as pessoas deveriam tomar as suas decisões em vez de perceberem como realmente as pessoas as tomam (Focam-se no resultado da decisão, enquanto a aborgagem psicológica estuda o processo da decisão)..

Contudo, uma das grandes limitações à Teoria da Escolha Racional é a nossa inconsistência comportamental perante o risco. Assim, podemos ter aversão ao risco - ocorre mais se, se contemplam os ganhos  - Risk Averse; ou pelo contrário temos atração pelo risco, ocorre mais se se contemplam as perdas - Risk seeking bahaviour.

Assim, na abordagem económica I, cada alternativa tem associado um beneficio ou ganho, ou um custo ou perda.

Para cada alternativa é possível calcular o valor esperado ou "expected value".

A decisão deve ser tomada de acordo com o princípio da maximização do valor esperado.

Assim de acordo com estas informações: 

No emprego A

.5 de probabilidade de 20% aumento salarial ao fim de um ano

No emprego B

.9 de probabilidade de 10% aumento salarial ao fim do ano

EV(A)=0.50x0.20=0.10

EV(B)=0.90x0.10=0.09

Maximização do valor esperado, logo escolhemos a alternativa A.

 

 

 

 

Tipos de conhecimentos produzidos pela Ergonomia enquanto ciência

A Ergonomia enquanto ciência tenta produzir conhecimento útil à acção ergonómica: que pode ser pois um projecto de concepção ou um projecto de transformação, de situações de trabalho ou mesmo objectos técnicos.

A Ergonomia tenta pois produzir conhecimentos úteis e científicos já que a prática profissional por si mesma não as assegura, ou assegura pelo menos alguns. 

A Ergonomia como disciplina teórica e prática tem tentado contribuir para a criação de : 

  • Metodologias de análise;
  • Avaliação dos dispositivos técnicos e organizacionais;
  • Medodologias de particpação na concepção;
  • Intervenções nas situações de trabalho;

Os Ergónomos para além dos estudos clássicos da ciência experimental têm também um conjunto de metologias mais próprias como por exemplo a análise do trabalho dos Ergonomistas - cujo procedimento é a observação realizada por um ergonomista. Outro método pode pois ser a auto- análise reflexiva - trata-se de conduzir acções ergonómicas reservando tempo para prática reflexiva. 

A Ergonomia querendo constitui-se como disciplina que apesar de multidisciplinar cria também o seu próprio campo de conhecimentos produz 4 tipo de conhecimentos (ergonómicos) diferentes: 

4 tipos de conhecimentos Ergonómicos diferentes

Conhecimentos gerais sobre o ser humano em acção - Emprestados de outras disciplinas como a fisiologia, a psicologia a sociologia.

 

Conhecimentos metodológicos -  Métodos gerais de acção ergonómica de analise, de condução de projecto, e tratamente de dados, experimentação, técnicas de entrevista, de observação etc...Estes métodos são adquiridos inicalmente pela formação, mas desenvolvem-se, ganham em complexidade e precisão também com a prática.

Conhecimentos específicos -  Conhecimentos específicos relativos à própria situação estudada, estes conhecimentos resultam da aplicação de metodologias conhecidas que permitem ao profssional praticante de ergonomia elaborar uma representação da situação que enfrenta. Os conhecimentos específicos. não são portanto preexistentes são contruidos  pelo ergonomista de acordo com as necessidades de acção.

Conhecimentos eventuais -  Tem como base a experiência das situações já encontradas. Permite ao ergonomista enriquecer a sua biblioteca mental de situações reutilizar essas informações ao confrontar-se com situações novas; para enriquecer as representações dos interlocutores do ergonomista, através de exemplos de outras situações possíveis. Pode ainda ser este conhecimento eventual adquirdo em livros, congressos, etc...

 

 

Conceito de Ergonomia

Depois de relacionar a Ergonomia com alguns dos tópicos de alguns dos textos da Psicologia do Trabalho, chegou  então agora o momento de falar desta disciplina.  

O termo Ergonomia resulta da conjugação de duas palavras gregas: Ergon= Trabalho e Nomos = Lei, Regra.

A paternidade da expressão remonta ao Psiocólogo Inglês MURREL, e foi oficialmente adotada aquando da criação, na Grã-Bretanha em 1949 - Ergonomics Research Society - onde se reuniram psicólogos, fisiologistas e engenheiros ligados a problemas de adaptação do trabalho ao Homem.

Talves seja pois uutil reflectirmos sobre algumas definições que foram surgindo ao longo do tempo, por forma a compreendermos a maneira como a ergonomia evoluíu para os prórpios ergonomistas.  

Um definição bastante importante, por conter a fórmula clássica da Ergonomia - a adaptação do trabalho ao Homem, foi a proposta nos anos 70 pela SELF Societé d' Ergonomie de langue française : " A ergonomia pode ser definida como a adaptação do trabalho ao Homem, ou mais precisamente como a aplicação de conhecimentos científicos relativos ao Homem e necessários para conceber máquinas, ferramentas, e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficácia.  

Sendo uma definição apresentada pela SELF nos anos 70 foi inspirada na oba de três autores francófonos: Faverge, Leplat e Guiguet que em 1958 escreveu uma obra precisamente com a fórmula da Ergonomia: "A adaptação da máquina ao homem.

Por vezes, mais do que debitar definições é importante extrair algum sifnificado das suas permissas, e esta definição datada dos anos 70, concebe a ergonomia como uma disciplina prática - conceber máquinas, ferramentas e dispositivos a partir de conhecimentos científicos relativos ao Homem, que aponta assim também para a característica multidisciplinar  desta disciplina.

Além disto integra  a tríade concebida por Wiener (1971) - um médico do trabalho da Renault - que falou na Importância, da Eficácia, Segurança e Conforto.A ideia é conseguir uma conciliação entre os 3 factores, na acção ergonómica ao invés da sua oposição.

Embora a definição de Ergonima em determinados momentos históricos,e culturais vá variando o seu enfoque é importante dizer que em tempos se defendia precisamente o contrário da fórmula básica da Ergonomia como está expresso numa obra de Bonnardel intitulada: "A adaptação do Homem à máquina".

Hoje em dia a referência para a definição da Ergonomia é a proposta pela IEA em 2000 (Internacional Ergonomics Association)  a ideia da multidisciplinaridade e da opinião prática também está presente na primeira definição proposta pela IEA contudo alarga o saber desta disciplinas não só para a procução de ferramentas, máquina e dispositivos para os ambientes de trabalho mas, para o ambiente de trabalho, e  quer elaborar um corpo de conhecimentos científicos juntamente com as outras disciplinnas, pretende formar um conjunto de saberes específicos.

Já a definição da IEA (2000) tomada como referência Internacional, foi alicerçada em dois anos de discussão, e da qual podemos destacar os seguintes pontos:

1 - Apresentam a ergonomia como disciplina científica - é a ciência do Trabalho

2 - O seu objectivo - e a compreensão fundamental das interações entre os seres humanos e os outros ocmponentes de um sistema.

3 - Para além de ser um disciplina, distingue-se ainda como um profissão

4 - Apresenta áreas de especialização

"Apresentam a Ergonomia como uma disciplina científica,a ergonomia é a ciência do trabalho além disso explicitam o seu objectivo: compreensão fundamental das interações entres os seres humanos e osoutros componentes de um sistema. Apresenta-a também como uma profissão esta consideração tem pois duas implicações fundamentais: 

1ª  - Existiu o desenvolvimento das sociedades cientíificas, formações especializadas, procedimentos de certificação e organismos profissionais.

2º   - É uma disciplina com aplicação prática em sectores económicos muito específicos. Para além disso dizem ainda que um ergonomista tem de ter uma compreensão apurada do conjundo da disciplina levando em conta vários factores como os físicos os cognitivos, sociais, organizacionais, ambientais e outros ainda.  Relativamente às areas de especialização há ainda uma ressalva e distinção importante a fazer. Quando se fala em áreas de especialização devemos distingui-las de sectores. Sectores são por exemplo: ergonomia da condução automobilística;  Ergonomia dos serviços; ou ergonomia da concepção individual.

Outra importante assercção sobre a Ergonomia que fale a pena reflectir é exactamente que a Ergonomia: é uma disciplina orientada para o sistema que hoje se aplica a todos os aspectos da vida humana. 

Para o remate final resta-nos dizer que a Ergonomia produz conhecimentos acerca do ser humano em actividade. Este projecto acontece numa altura em que havia uma tendência das disciplinas em estudar o Homem fora do seu contexto, fora da tarefa actualmente, isto já não se processa desta maneira. Hoje o sujeito é visto e consequentemente estudado, investigado como sujeito finalizado, há uma visão, holística do sujeito, a Ergonomia não pretende tanto ou apenas estudar  sujeito em ação, é necessário tentar produzir conhecimentos úteis para a acção ergonómica.

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

Será o raciocínio universal?

Em textos anteriores reflectimos acerca de diferentes tipos de raciocínio e até de uma das teorias que explica uma forma global de raciocínio.

Uma nova linha de investigação acerca deste tema, debruça-se se o raciocinío é universal, ou melhor se diferentes culturas raciocinam da mesma forma, ou se a cultura é mediadora deste processo.

Há sobre estes desenvolvimentos dois nomes a fixar Luria e Nisbett. Luria um famoso neuropsicólogo soviético interessou-se por este tema há muito tempo, e tentou responder à seguinte questão: Será que as civilizações não escolarizadas raciocinam como os Europeus?

Comparou comunidades pouco escolarizadas de Fergana, uma cidade do Ubequistão, culturalmente bastante marcante ao nível da arquitectura e com um poeta considerado particularmente genial.  O que ele constatou foi importantissímo: as pessoas conseguem fazer raciocínios condicionais, no entanto eles parecem não conseguir extrair conclusões a partir das permissas, recusam usar a lógica para extrair informações das permissas, raciocinando muito mais facilmente a partir da experiência concreta das suas vidas, atestando assim que o aspecto da comunicação e da pragmática é muito importante. Além disso tal como tinhamos visto anteriormente há efectivamente uma importânca das crenças e influências prévias no nosso raciocínio. Estes efeitos eram contudo, mais proeminentes e visíveis em pessoas mais velhas do que em pessoas mais novas. 

Transcrevo agora um estudo de Luria (1976) sobre o raciocínio silogístico:

Perguntava o seguinte aos participantes:

Em N, todos os U são B.

NZ fica em N. Como são os U?

As respostas de algumas pessoas eram algo deste género? Eu não sei, eu não conheço eu nunca estive lá...Estes exemplos de respostas mostram que as permissas não foram pois tomadas como afirmações universais.

Scribner e Cole em 1974 empreenderam também um estudo transcultural com os Kpelle.

O problema que lhe foi poposto foi então o seguinte:

A Aranha e o Veado comem sempre juntos.

A Aranha está a comer.

O Veado preto também está a comer?

As respostas foram maioritariamente semelhantes às dos participantes do estudo de Luria, e há etnão dois aspectos que podem podem ajudar a explicar porque o signigicado das permissas não é universal. 

  •  O Viés da Crença: Tendência em aceitar conclusões que vão ao encontro das próprias crenças. (Hendle, 1962; Goel e colaboradores, 2003)
  • O princípio da modulação pragmática( Johnson-Laird e Byrne, 2002) O conhecimento que temos armazenado em mémória modula (afecta, influencia) a interpretação das informações condicionais. 

A Cognição é universal ou não é universal? 

A resposta de Richard Nisbett

Richard Nisbett é um psicólogo que se tem interessado por estes assuntos. Conta até a história de um aluno oriental, que no final de uma aula se dirigiu a ele para comentar diferenças de pensamento, dizendo algo do género: "que engraçado vocês aqui pensam muito assim e fez o gesto de um círculo fechado, enquanto nós no oriente pensamos de forma muito menos linear e mais aberta". Penso que para qualquer um de nós, principalmente neste momento com a massificação das modernas viagens, são flagrantes as diferenças provocadas pela cultura, no entanto creio que é mais difícil que essas diferenças possam também ser visíveis em formas de pensamento e raciocínio, já que tendemos a pensar que estas coisas dependem de algo mais físiológico, agregado à própria condição humana, se todos temos um cérebro então provavelmente todos raciocinaremos, no que de mais básico tem o pensamento e raciocínio de forma semelhante, até porque estamos muito mais habituados que se estabeleçam diferenças na forma de pensar entre animais mais ou menos primitivos e o homem.

Masuda e Nisbett (2001) decidiram testar a percepção visual (a maneira como olhamos para uma cena visual) varia em diferentes culturas. Depois desta introdução toda é normal que estejam à espera de diferenças. Mas, como são então essas diferenças?

Convidaram 41 americanos e 44 japoneses a verem uma cena que continham 3 peixes num aquário com fundo verde e uma planta.

Fase 1 - Tarefa de evocação (os participantes tinham que descrever a cena)

Fase 2 - Tarefa de reconhecimento da cena- peixe em fundo orinal; peixe sem fundo; peixe em fundo novo;

O que se verificou é que há um influência subtil/percepção visual da cultura no reconhecimento de uma cena global.

Os participantes japonses reconhecem muito melhor a imagem do peixe em fundo original e os americanos a imagem do peixe sem fundo.

Chua, Boland e Nisbett (2005)

Empreenderam um estudo muito semelhante ao anterior mas utilizando técnicas mais recentes e inovadoras (registo dos movimentos oculares)e utilizaram imagens mais realistas (imagens em 3d).

Na sequência do que já se havia observado anteriormente, os americanos gastam mais tempo de explocração ocular no obecto e os chineses gasta mais tempo a explorar o background. O que pode, eventualmente explicar estas diferenças, é o facto de orientais e americanos terem dois modos completamente distintos de processamento: os americanos muito influenciados pelo pensamento socrático e aristotélico enquando os orientais, e por incrivel que parece, não sabem quem foi Socrates, sendo completamente influenciados por Confusio.

Esta é apenas uma hipótese mas, o que estes investigadores - Chua, Boland e Nisbett (2005) defenderam foi que diferenças culturais no julagamente e memória, poderão dever-se ao modo como é explorada a cena visual ( ao que se presta atenção).

Myamoto, Nisbett e Masuda (2006)

Empreenderam mais uma investigação e esta sim com conclusões que para mim foram de todas as mais surpreendentes que estas diferenças podem dever-se também, pasme-se às características do próprio ambiente, podem provocar diferentes padrões na percpeção. 

Embora esta linha de investigação seja ainda muito recente, já podemos destacar alguas diferenças, efectivamente desde 2001 até hoje as investigações são muito mais diferenciadas.Sendo que as diferneças entre culturas podem depender de aprendizagens muito específicas tais como (aprendizagem da leitura e da escrita com letras que não são assimétricas) e também do próprio ambiente físico.

Diferenças culturais no agrupar e categorizar objectos - classificação livre e julgamento de semelhanças

Classificação Livre

Exemplo: Quais fazem o melhor par?

Vaca ; Galinha; Erva;

Nisbett e colaboradores concluiram que as crianças americanas, agrupam livermente estes objectos por categorias e as crianças chineses agrupam por relações. 

Julgamentos de semelhanças

Os Europeus e os americanos agrupam por regra, enquando os asiáticos agrupam por semelhança e a diferente forma de agruparem é bastante nítida de cultura para cultura. Contudo os asiáticos americanos, ainda que um pouquinho menos em percentagem também julgam pela semelhança e não pela regra, quer isto dizer que a cultura de origem parece prevalecer.

Previsão da Mudança

Como prevêm a mudança estas duas culturas, será que há diferenças ou estas não existem. Depois de tudo isto, é um bocadinho  óbvio que existem.

Os americanos parecem ser mais lineares ao prever mudanças enquanto os chineses não são tão lineares e conseguem acomodar a ideia de que grandes mudanças podem acontecer mesmo, quando anteriormente a situação não o faz perder. Esta ideia está bastante presente na literatura chinesa, em que a vida das pessoas "dá voltas" muito pouco previsíveis.

Atribuição de inveja ou sabedoria também parecem variar de cultura para cultura

Qual a possível razão para o comentário: "até pode ser bom para ela" face a acontecimentos negativos;  e comentários como "até pode ser mau" face a acontecimentos positivos

Pois que os americanos atribuem mais estes comentários à inveja. Os chineses atribuem mais à sabedoria.

Atribuição de maturidade ou sabedoria perante cenários menos positivos

Os americanos mostram se mais preocupados que os chineses ainda que a diferença não seja, efectivamente muito grande. E os chineses atribuem a importância da maturidade para saber "lidar" com estas questões do que os chineses. Neste caso a inveja tem pouca importância para os dois diferentes grupos culturais.

 

Conclusões finais:

Quando se mencionavam as diferenças culturais, há algum tempo atrás esta abordagem era muito mais dictómica, falavam-se em diferenças entre ocidente e oriente, hoje em dia estas abordagens são pois muito mais diferenciadas dentro da europa compara-se a Europa do Leste como do Este etc..tal como na cultura asiática.

Como vemos estas difererenças entre pensamento devem-se à cultura mas também a efeitos sa escolarização : há aprendizens específicas que influenciam a forma como vemos as imagens e até a forma como o próprio cérebro está organizado. Há aliás outras linhas de investigação que falam que estas diferenças também variam conate se falem em sociedades mais baseadas na caça ou na agricultura.

 

 

Os acidentes de trabalho - alguns dados importantes para a sua análise

Os acidentes de trabalho, são à partida independentemente das suas caracterísitcas difíceis de estudar, porque:

Embora sejam demasiado numerosos, a probabilidade de serem observados é rara;

O acidente é, na maioria das vezes, um acontecimento súbito ( ao contrário das doenças profissionais, que são um acontecimento diferido no tempo) e os eventuais observadores só podem ver, de facto, a situação imediatamente posterior ao acidente (que normalmente são situações que exigem intervenções rápidas, incompatíveis com atitudes de análise).

Muito enraizada está também a ideia de que os acidentes acontecem normalmente devido a "erro humano", contudo a psicologia do trabalho defende exactamente uma perspectiva oposta, as origens dos Acidentes de Trabalho (vulgarmente representados pela siga AT) situam-se a vários níveis, a montante de uma possível actuação por parte do trabalhador.

Se quisermos conhecer a origem dos AT, mas sobretudo se quisermos evitar a sua reprodução temos de conhecer o seu processo de produção.

Dada a natureza "sui generis" do fenómeno estudado, tudo se passa como se o A.T acontecesse no interior de uma caixa negra, relativamente à qual só as entradas e as saídas seriam acessíveis e observáveis.

O que conseguimos recolher de um AT é posterior ao acidente o que podemos fazer é tentar relacioná-los e analisá-los com elementos relativos à situação anterior. É em muitos casos, uma análise que se afasta da situação imediatamente anterior ao acidente de trabalho, podendo acabar por "tocar" na origem de outros disfuncionamentos. Conhecer o processo de produção dos A.T não serve apenas para encontrar os "culpados" sendo a sociedade judaico cristã bastante movida por esta ideia de culpa, aqui é também conseguir tocar noutros disfincionamentos que poderão prevenir possiveis e futuros acidentes de trabalho e promover a saúde e bem estar dos trabalhadores. 

À Entrada temos: 

as características do trabalhador que sofreu o acidente (idade, antiguidade, qualificação)

as caracterísitcas do grupo de trabalho: o tipo de enquadramento, a experiência de um trabalho colectivo, a coesão da equipa

as características da situação de trabalho: natureza da tarefa, tipo de máquina, condições de trabalho...

o tipo de organização do trabalho ritmo de produção exigido, dificuldade em compatibilizar as normas de produção e as normas de segurança.

.... (entre outras, talvez estas sejam as principais)

E, à saída temos:

o número de acidentes

a gravidade destes A.T para o trabalhador/para o material 

o local, o momento 

A partir destes dados podemos tentar estabelecer relações estatísticas e determinar quais as características da entrada que parecem aumentar a probabilidade do A.T ocorrer.

Sabiam, que curiosamante 60% dos acidentes de uma empresa acontecem fora das circunstâncias habituais de trabalho, em momentos que representam 5% do tempo total de trabalho dos operários, isto é, nos momentos que eles consagram "a actividades de recuperação " (manutenção das máquinas, limpeza do posto de trabalho etc...)

Por exemplo, um estudo realizado por Rui Lourenço sobre o processo de construção da ponte de S. João no Porto concluí que os acidentes ocorriam mais na fase de preparação  do que propriamente na fase de construção.

Se as relações estatísticas nos ajudam a determinar quais as características da entrada que paredem aumentar a pobabilidade do A:T ocorrer, é preciso saber interpretá-la. São vários e numerosos os mecanismos que podem ocorrer dentro da "caixa negra".

Retomando, o exemplo do estudo de Rui Lourenço acerca da construção da ponte de São João no Porto, e da maioria dos acidentes ocorrerem na fase de preparação há várias explicações possíveis por exemplo: Os trabalhadores dão menos importância a essas tarefas e são, consequentemente são menos cuidadosos quando as realizam; Não foram realizadas acções de formação pela empresa para essas tarefas; parte dessas tarefas resultam de incidentes técnicos que atrasam o ritmo de produção, tornam o operador mais nervoso, menos atento às normas elementares de segurança.

As várias interpretações que são concebidas para a interpretação do A.T não se devem excluir mutuamente, já que, na grande maioria dos casos, um A.T, terá várias explicações que acumularam os seus efeitos. O acidente é um fenómeno de encontro acumulação de factores desvaforáveis, situados a vários níveis: ao nível do trabalhador, ao nível da sua equipa, ao nível da situação de trabalho, ao nível da sua organização.Há o princípio da pluricausalidade da maioria dos acidentes de trabalho.

Neuloh, Ruhe e Graf efectuaram a análise de acidentes ocorridos em 3 fábrias alemãs entre 1954 e 1956. Em cada uma dessas fábricas esteve presente uma equipa constituída por engenheiro, um médico, um psicólogo e um sociólogo - equipa essa que, para cada acidente, analisou as causas suscetíveis de terem contribuído para esse desenlance. De mais 681 acidentes estudados, só 18,6% pareciam ter tido apenas uma única causa, enquanto 1828 causas foram registadas para explicar os outros grandes acidentes de trabalho.

Deste modo, o A.T apresenta-se também como revelador de disfuncionamentos da empresa em que surgiu. Disfuncionamentos que podem ser fonte de outros acidentes, mas também de outros problemas ( Incidentes avarias, falta de qualidade da produção). Esta perspectiva que incide sobre o A.T, tem a vantagem não só de contribuir para uma possível redução dos acidentes, como também de permitir uma maior consciência das origens de outras consequências negativas para a empresa (outros disfuncionamentos).

Este tipo de abordagem permite uma sensibilização para a importância de certas opções assumidas na gestão dos RH e nomeadamente 

  • a necessidade de atribuir devida importância às tarefas periféricas (tarefas de recuperação);
  • a valorização da experiência do local de trabalho e os riscos inerentes à precarização da relação salarial;
  • a coactividade (solidariedade), coordenação das actividades e gestão dos riscos, subcontratação e recurso ao trabalho temporário
  • a manutenção dos equipamentos

Note-se que o que aqui se acaba de descrever é o que efectivamente deveria acontecer, contudo esta nem sempre foi a perspectiva dominante, e houve de facto uma evolução no sentido positivo na forma de olhar e no fundo interpretar os A.T. Estudos referidos por Leplat e Cuny (1974) 

Para grande parte destes estudos, os problemas consisitiam em determinar as características individuais que conduziriam alguns trabalhadores a apresentar uma maior probabilidade de sofrer um A.T (= os poliacidentados, com predisposição).

O acidente resulta frequentemente da dificuldade em compatibilizar o cumprimento das normas de produção com o das normas de segurança.

Este problema da incompatibilidade produção/segurança, apesar de ser clássico para os especialistas de SST, continua, no entanto a provocar regulatmente o seu rol de consequências negativas. 

As características dos constrangimentos das situações de trabalho acabam por fazer com que as estratégias pouco elaboradas pelos trabalhadores nem sempre sejam as mais adequadas do ponto de vista da segurança.

O operador quando chega ao posto de trabalho, quando intervêm, acaba então por ter de atuar numa situação que é resultante da intervenção de uma série de actores da empresa.

Principais conclusões 

  • É indispensável rever de forma fundamental a conceção da prevenção;
  • Partir de un conhecimento concreto do trabalho real, da actividade tal como acaba por ser conduzida no seio de certos condicionalismos;
  • Estabelecer um novo diálogo com os membros da empresa, tendo em conta e compreendendo a lógica às suas representações do risco. (Cru, 1993).

 

  • Adaptar os instrumentos de diagnóstico à especificidade de cada caso;
  • Conceber modos de intervenção "participados" e de longo prazo, mantendo a vigilância relativamente ao andamento do processo de intervenção;
  • Ter consciência das limitações inerentes a intervenções "segmentadas".

 

 

 

 

 

 

 

Teoria dos Modelos Mentais - Johnson - Laird

Depois de termos abordado o raciocínio, e muito em particular o raciocínio dedutivo, é muito útil falar numa teoria do raciocínio avançada por Johnson-Laird acerca do raciocínio. 

A teoria chama-se "Mental Models" (1983, 2010, 2013) e o seu autor argumentou que raciocinar envolve a construção de modelos mentais.

Cada modelo mental representa uma possibilidade, captura o que é comum de diferentes maneiras, no fundo mostra-nos quais as possibilidades que podem ocorrer. Por exemplo atirar uma moeda, tem implícito um número infinito de trajectórias, contudo só existem dois modelos mentais : cara e coroa.

De acordo com Johnson- Laird (1983) as pessoas usam informação contida nas permissas para construir um modelo mental (daí a importância da linguagem)

Descrevemos agora algumas das muitas assunções da teoria dos modelos mentais:

1 - Um modelo mental descreve que uma dada situação é construída e as conclusões que se seguem são geradas, criadas. O modelo é icónico a estrutura corresponde ao que ele representa.

2 - É feita uma tentativa de construir modelos alternativos para falsificar a conclusão. Se um modelo de contra-exemplo não for encontrado a conclusão é assumida como válida.

3- A construção de modelos mentais envolve limitações ao nível da memória de trabalho.

4- Problemas de raciocínio que exigem a construção de modelos mentais (maiores) são mais difíceis de resolver do que aqueles que exigem apenas um modelo mental, por causa do aumento das demandas na memória de trabalho,

5- O princípio da verdade - Indivíduos minimizam a carga da memória de trabalho com tendência para construir modelos mentais que representam explicitamente apenas o que é verdade e não o que é falso. (este principío da verdade é de facto a explicação para tantas pessoas falharem no jogo de cartas de Wason). O que não é de estranhar já que Laird estudou com Peter Wason, e encontraram pois, efeitos dramáticos do conteúdo das permissas no raciocínio. Raciocinar não consiste pois numa mera aplicação das regras lógicas do pensamento, implica criar modelos do que é apresentado nas permissas: implica representar de uma determinada maneira as circinstâncias que nelas são afirmadas. Raciocinar, então, pressupõe que aquele que raciocina tem uma representação do conhecimento dado, que vai usar para criar conhecimento novo - extrair a conclusão.

A negação de uma afirmação/ permissa tanto pode afectar a sua compreensão como o raciocínio propriamente dito( neste caso se implicar modelos mais alternativos).

Rciocinar envolve compreender as permissas, ter o insight  de que a lógica é relevante para "ver" o que as permissas acarretam (entail).

Os modelos mentais são icónicos - sua estrutura corresponde ao que eles representam. Estes modelos mentais preservam ainda relações espaciais, e também envolvem imagens visuais. Contudo, Knauff et al. (2003) concluíu que o racicocínio dedutivo é mais lento quando envolve "imagery visual". Porque quando criamos imagens visuais geramos também detalhes irrelevantes, e esses detalhes tornam efectivamente esse raciocínio mais difícil.

Exemplos do "princípio da verdade" (Tendemos a construir modelos que representam explicitamente aquilo que é verdade e não o que é falso para não sobrecarregar a memória de trabalho)

Exemplo 1 -  Uma das seguintes frases é verdadeira

O combio é pesado ou elegante ou os dois

O comboio é elegante e portátil

A seguinte afirmação é definitivamente verdade: o comboio é elegante e portátil.

Suponha que a asserção final é verdadeira. Acontece então, que a segunda afirmação é também verdadeira já que as afirmações são idênticas. Se a última afirmação é verdadeira a primeira também o é, o facto de o comboio ser elegante é suficiente para que a informação seja suficente. Contudo, o problema começa por dizer apenas uma das afirmações é verdadeira - Se a asserção final é verdadeira as últimas asserções são também verdadeiras, mas no entanto é apenas suposto que apenas uma das informações seja verdadeira.

Neste exemplo, havia evidências convincentes para inferências ilusórias visto que o princípio da verdade não permite que inferências corretas sejam desenhadas. 

Em contraste, o desempenho foi muito mais alto em problemas de controle onde a adesão ao princípio da verdade era apenas suficiente. 

A excessiva aderência ao princípio da verdade produz raciocínios incorretos em outros tipos de problemas. 

Teoricamente os indivíduos fazem inferências ilusórias porque falham em pensar acerca do que é falso

De acordo com a teoria de Johnson Laird as pessoas procuram por contra-exemplos após a contrução do modelo inicial e de gerar uma conclusão. Como resultado eles podem construir vários modelos mentais e considerar várias conclusões. Alguns autores, contudo, não encontraram suporte para isto, relativamente aos silogismos. Outros autores tentam demonstrar esta ideia dos raciocinadores não encontrarem outros contra-exemplos. Por exemplo - "Não vivem machos adultos, como pode então ser?"

Para esta questão há 7 possibilidades de resposta por exemplo: eles morreram, vivem fêmeas adultas, vivem rapazes etc...

Tudo isto para dizer que apesar da apaente simplicidade os participantes listavam apenas 5 possibilidades.

A teoria dos modelos mentais foca-se na abordagem geral tomada pelos raciocinadores e não se foca nas diferenças individuais, porém elas parecem ter alguma relevância.

Johnson Laird pediu aos participantes para avaliar silogismos válidos ou inválidos. Alguns formaram inicialmente um modelo mental logo a partir da primeira permissa adicionando depois informação baseada na segunda permissa. Outros participantes procederam ao contrário - segunda permissa, adicionando indormação à primeira permissa. E outros constroem um modelo inicial satisfazendo a conclusão.

Apesar, destas nuances muitos destes principíos obdece confirmação experimental. 1º os modelos mentais representam o que é comum num set de possibilidades e para ser icónico. Segundo, muitos dos erros no raciocínio dedutivo ocorrem porque as pessoas usam o princípio da verdade e ignoram o que é falso. Porém as pessoas acham difíicl encontrar contra-exemplos, e a nosssa habilidade de raciocínio é frequentemente limitada por constrangimentos da Memória de Trabalho.

A teoria dos modelos mentais é a melhor a predizer as respostas dos participantes contudo, é relativamente fraca a rejeitar as respostas que estes sujeitos não produzem.

Limitações da teoria dos modelos mentais

Acreditam que as pessoas usam mais raciocínio dedutivo do que realmente o fazem.

Originalmente postulou que os indivíduos procuram contra exemplos como disciplina. Mas, eles não o fazem. Contudo, a maioria das pessoas não o usa e elege outras formas mais fáceis e mais curtas. 

Os processos envolvidos para formar os modelos mentais são inespecíficos. Ele assume que as pessoas usam conhecimento anterior quando formam os modelos mentais, contudo a teoria não menciona como decidimos quais as informações a incluir nos modelos mentais.

Esta teoria não diz nada a respeito de "mental models" com problemas de raciocínio ambíguo.

Ragni e Knauff (2013) obtiveram muito suporte para a sua assunção teórica que que os raciocinadores têm preferência por modelos mentais fáceis de construir. Eles também argumentaram que ao contrário do que os autores do modelo de "modelos mentais" afirmavam é mais comum construirmos um único modelo mental em vez de muitos modelos mentais. Os seus experimentos suportam esta assunção em vez da teoria dos modelos mentais.

 

 

 

O Racíocínio

Fala-vos hoje de algo que subjaz tudo o que temos vindo a abordar  até agora, sejam a resolução de problemas sejam os próprios julgamentos em condições de incerteza. 

Os filósofos distinguiram à centena de anos dois tipos de racíocínios: o racíocínio Indutivo e o racíocínio dedutivo.

De uma forma muito genérica podemos afirmar que raciocinar é produzir/criar conhecimento novo. 

O Racíocínio Indutivo acontece quando extraímos uma conclusão geral a partir de permissas (depoimentos) referentens a instâncias particulares. As conclusões são indutivamente válidas, mas, os argumentos são provavelmente (mas, não necessariamente) verdadeiros.

Os cientitasas fazem muito uso do raciocínio indutivo, por exemplo a partir de numerosas experiências concluem que o reforço é muito importante para a aprendizagem.

Contudo, a Psicologia do Pensamento, estuda mais o tipo de racíocínio dedutivo (já anteriormente abordado e estudado por Aristóteles). E fá-lo porque há uma certa tendência de aproveitar este tipo de raciocínio para a vida do dia-a-dia, para a vida comum. E como diz Johnson Laird - O que seria do mundo sem dedução? A dedução traz ao mundo ciência, tecnologia, leis, convenções culturais e sociais. O racíocínio permite-nos criar conhecimento novo! A nossa capacidade de deduzir é brutal, e quanto melhor raciocinamos, melhor parece ser a nossa vida. Há alguns estudos que correlacionam o conhecimento académico e as escolhas de vida, sendo que a instrução nos dá uma maior capacidade de fazer inferências. 

A lógica dedutiva é o ramo da matemática e da filosofia que investigam uma relação especial entre as afirmações; A Psicologia Cognitiva acredita que o pensamento e a lógica nem sempre se encontram em completa sintonia, a Psicologia Cognitiva investiga a capacidade de as pessoas reconheceram uma realção específica/especial entre as afirmações. 

Racíocínio Dedutivo e Problem Solving

O racíocínio dedutivo está relacionado com a resolução de problemas, porque as pessoas que tentam resolver uma tarefa utilizando o racíocinio dedutivo tem um objectivo claro e definido mas a sua solução não é óbvia. É de notar, que o facto de a maior parte do raciocínio dedutivo ser baseado na lógica formal, não significa necessariamente que as pessoas usem a lógica formal para resolvê-lo. Aliás, tal como temos visto as pessoas, raramente ou nunca, utilizam a lógica tradicional com os seus problemas. 

Uma outra razão para estudarmos o raciocínio dedutivo é o facto de a sua solução ser certa, enquanto no raciocínio indutivo nos deparámos com a facto de a sua conclusão ser probabilística. As conclusões são indutivamente válidas os argumentos são provavelmente mas, não necessariamente verdadeiros. Utilizando ainda o exemplo anterior um psicólogo pode conduzir numerosos estudos e concluir porque encontrou de forma consistente que o reforço é indispensável no processo de aprendizagem. Contudo, esta conclusão não é necessariamente verdadeira porque este investigador não sabe se as investigações futuras produzirão resultados semelhantes a estes.

Formas de Raciocínio Dedutivo

1 - Silogismos Categoriais Simples

O raciocínio silogístico já foi estudado há mais de 2000 anos. Duas permissas ou testemunhos seguidos por uma conclusão.

Silogismo - Um tipo de problemas usado no raciocínio dedutivo. Há duas permissas ou declarações e a conclusão pode seguir ou não seguir a lógica das permissas. 

Exemplo: Todos os A são B

                Todos os B são C

Conclusão: Todos os A são C

Os silogismos assumem várias formas de quantificadores, as proposições são: todos, alguns, nenhuns etc...

Quando apresentamos um silogismo, nós devemos decidir qual a conclusão válida à luz das permissas apresentadas. 

A validade ou a falsidade das conclusões no mundo real (se há ou não há correspondência é completamente irrelevante).

Vários viés causam erros no raciocínio silogísticos: O Vies da crença/Belief Bias - A tendência em aceitar conclusões inválidas mas, nas quais acreditamos e rejeitar conclusões válidas mas, nas quais não acreditamos. (Hendle 1962).

O efeito das crenças no raciocínio silogístico foi estudado por Goel et al., (2000) e Goel e Dolan (2003) atestando então o poderossissimo efeito das crenças nos raciocínios silogísticos: assim existem 84% de respostas certas se a conclusão é congruente; 74% de respostas certas se o conteúdo e incongruente; e 77% sem conteúdo formal ou conteúdo vazio - como se pode verificar quando o conteúdo é vazio ou não formam há um melgor efeito do que se o conteúdo for incongruente.

Pesquisas mais recentes associam diferentes áreas cerebrais quando processamos silogismos congruentes ou não congruentes ou sem conteúdo formal ou vazios. Assim, a área temporal parece estar muito associada à memória/silogismos congruentes; já os silogismos neutros ou vazios estão muito associados ao lobo parietal. 

Ainda relativamente à forma como as pessoas vão resolvendo este género de dilemas há pois algumas diferenças: há pessoas com um estilo de processamento cognitivo mais verbal e outras que necessitam de esquemas mais gráficos para das resposta a estas questões.

Tipo de Racíocínio Dedutivo

Racíocínio Condicional - As crianças são muito boas em silogismos categoriais simples.

Basicamente é o raciocínio do se.

Tem origem na lógica proposional  - onde operadores lógicos como ou, e , se, então, só se ....

P= Proposição Standart = Está a chover

Q= Proposição a seguir= A Nancy está molhada

Usamos um operador lógico= If P then Q

O truque ou a regra destes tipos de racicocínio de lógica proposicional é que não admite nenhum grau de incerteza acerca do P. O P está absolutamente sempre correto.

Exemplo: 

Permissas

Se a Susana está zangada, eu estou triste.

Eu estou triste.

Conclusão

A Susana está zangada

A maior parte das pessoas aceita esta conclusão como válida.  Mas não é válida de acordo com a lógica proposicional. Eu posso estar zangada por várias razões, como por exemplo ter perdido o emprego.

Exemplo 2:

Se está a chover, a Nancy fica molhada.

Está a chover.

Conclusão:

A nancy está molhada,

Este exemplo parece igual ao outro mas, é bastante diferente, sendo este exemplo completamente verdadeiro. 

Este tipo de Raciocinío Dedutivo, chama-se Raciocínio Dedutivo condicional Modus Ponens - explícito pela proposição IF P THEN Q.

Modus Ponens: Raciocínio em que se infere a afirmação do consequente a partir da informação do antecedente. 

Porém há outro tipo de raciocínio dedutivo, um pouco mais complexo que este modis Ponens chamado modus Tollens e com o qual as pessoas têm muito mais dificuldade em lidar.

Portanto seguindo o mesmo exemplo IF P THAN Q - A PERMISSA Q É FALSA - CONCLUSÃO QUE O P É FALSO

Exemplo 3: 

1 - Se não levar telemóvel, fico incomunicável

2 - Não fiquei incomunicável

Conclusão: Levei telemóvel

Negação do antecendente a partir da negação do consequente.

Exemplo 4:

Se está a chover, então a nancy fica molhada

A nancy não está molhada

Então, não esta a chover. 

Exemplo 5:

Se, está a chover a Nancy fica molhada

Não está a chover

A Nancy não está molhada.

 Esta conclusão não está certa, pois a regra não é cumprida. If P then Q - a Permissa Q é falsa, logo concluo que P é falso.

Críticas

Duras críticas se fazem à investigação do raciocínio condicional, no sentido em que a sua pesquisa está limitada a dados desinteressantes, sendo os objectivos e as preferências completamente irrelavantes.

Se eu colocar as coisas nestes termos:

Se, tu seguires a lei, eu dou-te 5 dólares.

Eu não recebi 5 dólares

Ebtão eu não segui a lei.

Raciocínio Condicional Complexo

Apresento-vos agora um tipo de raciocínio condicional complexo baseado na tarefa de Wason.

A tarefa de Wason parece ser absolutamente simples,mas a maioria de nós tende a falhar.

Exemplo da terefa de Wason:

Se há um R numa carta, há um dois no outro lado.

Que cartas necessita virar, para confirmar esta regra:

As cartas são: R/ G/ 2/ 7

A maioria das pessoas, responde que viraria a carta R e a carta 2. No entanto, a respota correta seria a carta R e a carta 7. Porém esta resposta correta foi providenciada apenas por 5 a 10 % dos estudantes universitários.

Tarefa de seleção de Wason, outro exemplo

Se o cartão tiver uma vogal de uma lado, então tem um número par do outro.

Quais as cartas que necessita de virar para confirmar a regra?

E/K/4/7

As respostas corretas são a carte E e a carta 7.

No entanto, tal como no exemplo anterior 90% das pessoas aposta em virar a carta E e a 4 e apenas 25% aposta em virar a carte número 7.

A mensagemque se "leva para casa" depois dos resultados de todos estes exemplo é que de facto as implicações de uma regra condicional não parecem ser muito claras para a maioria das pessas. As escolhas logicamente informativas (E, que verifica o modus ponen, e 7, que verifica o mudus tollens).

Uma possivel explicação para esta tendência foi identificada por Evens (1998) que identificou o viés da concordância como um factor provável que poderá justificar esta baixa percentagem de respostas corretas. O Matching Bies refere-se à tendência na tarefa de seleção de cartas de Wason, em selecionar as cartas que correspondem explicitamente aos itens mencionados na regra.

Assim podemos dizer que estas falhas sistemáticas no raciocínio condicional podem ser devidas a efeitos de conhecimento prévio e do contexto.

 

 

 

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